2013-12-31

refletir

que ano de loucos. por um lado, foi demasiado longo, por outro, passou depressa demais.
tão estranho, como já passou tudo. como, há exactamente um ano atrás, sentia-me a apaixonar-me por alguém que hoje é, nada menos que, um dos meus melhores amigos e, acima disso, das melhores pessoas que conheci na minha vida e que nos últimos meses foi dos únicos que não me fez sentir sozinha. descobri numa amizade antiga um amor que, de início, entrou de mansinho até revelar toda a sua força, toda a sua intensidade, para se tornar num namoro de, já, dez meses, estando há mais tempo longe de mim que perto. as boas coisas acontecem com tempo, as melhores, de repente. descobri que nunca tinha amado antes. e encontrar, de facto, o meu namorado, foi, sem dúvida, das melhores coisas que me aconteceram este ano.
mantive as amizades genuínas, o meu mau feitio apenas fizeram as que valiam a pena, permanecer. fiz novos amigos em muitos novos conhecidos. tive quem me desiludisse pela vida mas que aprendi a perdoar. senti-me muito sozinha mas quem realmente comigo estava, nem que seja à distância de um computador, nunca me deixou realmente sem ninguém. descobri que me dou melhor com rapazes do que com raparigas e os meus gajos vão durar para sempre em mim.
acabei o secundário, com média de quinze, saí finalmente de uma escola onde fiquei durante seis anos da minha vida que, visto daqui, passaram a voar. deixei rotinas de pessoas que odiava ter diariamente na minha vida. nos meus exames de secundário encontrei alívio. apaixonei-me ao longo do 12º ano por psicologia e voltei a apaixonar-me por literatura. o cinema tornou-se oficialmente no meu grande amor e decidi que queria que o meu futuro passa-se por uma simbiose de palavras com a tela. foi assim que me senti inclinada para estudar para fora.
não li tanto quanto gostaria e escrevi muito menos do que devia. senti que, pela crescente felicidade que ocupava os meus dias, deixei de ter o dom da fluidez das palavras pelos meus dedos. e faz-me falta... faz-me muita falta escrever.
mas, a maior mudança do meu ano foi mudar-me para Londres. não tenho palavras para descrever estes últimos cinco meses. foram demasiadas coisas a acontecer. durante dezoito anos vivi sempre na mesma casa, em cinco mudei-me duas vezes. conheci pessoas fantásticas e outras. chorei, chorei muito. senti raiva, senti saudades, senti solidão e vazio como nunca pensei que pudesse sentir, sendo tão nova. tornei-me mais pessimista e comecei a tentar habituar-me a não ter expectativas para com ninguém... porque a desilusão é sempre imperativa. descobri a maldade individualista e mesquinhice humana. descobri que não basta ser boa pessoa para quem nos rodeia, para o karma reagir positivamente para connosco. descobri que não vale a pena confiar em ninguém. descobri que, lá fora, há gente muito pequenina de mente. descobri italianos e espanhóis com corações de ouro. descobri que os portugueses conseguem ser muito maus uns para os outros, sem necessidade nenhuma.
aprendi o valor de um abraço, de um beijo, de estar perto. descobri que amo mais a minha mãe do que pensava e que morro um pouco todos os dias por não ter a minha irmã perto de mim. percebi o quanto o meu pai me deixou mal habituada em termos de mimos e como até é possível ter saudades dos almoços ruidosos de família.
entrei na universidade no curso que queria, numa escola que discrimina quem é de fora. tive uma das melhores notas da turma num trabalho de Jornalismo e o professor disse-me na cara que ficou chocado com a minha nota, por não esperar que fosse tão boa. tive um professor que me disse que tinha jeito para fotografar. tive um professor com uma gargalhada amorosa. tive uma professora que tem um mau feitio matinal desgraçado. entreguei trabalhos em cima da hora, por um CD não funcionar. enviei um trabalho para um professor ás quatro da manhã. passei noites a fazer trabalhos. não fui tão organizada como deveria ter sido. conheci pessoas muito doces e aprendi que os ingleses são um povo realmente frio e distante. aprendi que os povos mediterrâneos são os mais calorosos.
comecei a trabalhar. no meu primeiro dia, a primeira tarefa que me deram foi desfiar três frangos e quase que chorei a fazê-lo, por nunca o ter feito antes e ter pena do frango. tive colegas de trabalho extraordinários. alguns deles partiram, de volta aos seus países ou em busca de melhores oportunidades. trabalhei numa charcutaria durante dois meses e tenho cicatrizes derivadas de facas, nas mãos, para toda a vida, mas com orgulho. aprendi muito sobre queijo e carnes, valorizavam-me por ser uma miuda trabalhadora e por tentar ajudar toda a gente, o máximo que pudesse. recebi sorrisos e abraços de volta. descobri o meu pai italiano, que é das melhores pessoas que tive a honra de conhecer nos últimos meses. mudei-me e comecei a trabalhar em caixa. percebi que o povo filipino pode ser muito frio. conheci o Mr. Bean, um condutor de fórmula 1 e um comediante com um programa de televisão, que disse que eu era engraçada. tive os melhores colegas de trabalho que podiam ser e, acima disso, amigos. jantei muitas noites uma sandes e um chocolate quente. comi pouco muitos dias. emagreci cinco quilos, no geral.
tudo mudou. eu própria mudei. mas tudo, tudo o resto também não ficou na mesma.
não consigo falar muito deste ano que passou. demasiadas coisas a acontecerem. mas... foi bom. foi cheio. em cheio, até. o bom compensa o mau, certo?
que o próximo ano traga metade das lágrimas deste ano e o dobro das alegrias.
venha o que vier...
que seja pelo melhor.

2013-12-09

perks of working in Partridges (3)

estava eu muito bem, e vem o Mr. Bean ter comigo, à procura de uma mince pie. fiquei tão, tão entusiasmada e boquiaberta, que respondi-lhe i really don't know, i just work in the tills, sorry about that, e ele fez cara de chateado.
mas não interessa.
Mr. Bean!