2014-02-16

Carolina

Descobri-a com uma dança. Com algo que, depois percebi, marcava exatamente quem ela era. No meio de infinitas páginas de internet desinteressantes, encontrei-a. 
A Carolina morreu. A Carolina morreu há cerca de oito dias. Não a conhecia. Sei que morreu durante o sono. Não conheci nada da sua vida, dos seus dramas, das suas paixões, dos dias, bons e maus, da família, dos amigos, do amor, da sua história. Não soube nada de quem ela era e de quem a fazia quem ela era até chegar à página do Tiago Bettencourt. 
Aí, sem sequer ler a descrição, abri um vídeo que me conquistou. Pela suavidade, pelo equilíbrio, assim como a paixão e dor em forma de passos de dança. Não te conhecia Carolina, mas os teus passos falaram comigo como se, de certa forma, me explicassem o quanto a ausência da tua energia iria deixar a vida daqueles que te rodeiam. Mexeste comigo como se parte da minha própria vida te tratasses.
A vida é triste... Hoje percebi isso. Nunca perdi ninguém. A Morte é algo que me assusta, mais do que admito. Para mim, a minha irmã é eterna. A minha avó, a minha mãe, a minha família é eterna. O André é eterno, não vai morrer. Nem a Joana, nem o Fábio. Os meus amores são para sempre, são criaturas intocáveis pelo medo daquela que rouba sem deixar forma nenhuma de trazer de volta o que se perdeu, sem mais nem menos.
Carolina, pela primeira vez, mesmo sem te conhecer, fizeste-me sentir a perda de alguém. O teu olhar fez-me sentir a efemeridade pela qual passamos, a cada singelo movimento que damos. 
Carolina... A tua perda mexeu comigo. Depois, ver o teu amor com o Pedro e, além disso, o amor que deixaste na vida de tanta gente pela qual dançaste, trouxe-me as lágrimas aos olhos. 
Num Mundo em que a Morte não dorme, adormeceste. Foste levado por um sono do qual apenas acordas nas memórias que deixaste naqueles em que te tornaste eterna. E sempre o vais ser, um espírito dançante marca mais que um corpo morto. Como tu estás... Como tu estupidamente, inocentemente, injustamente, estás.
Mostraste-me, sem sequer te conhecer, como a vida é pouca e a morte é injusta. Como devemos dançar, a cada passo que damos. Como devemos amar, sem deixar o amor adormecer.
Carolina... Obrigada. Obrigada por me teres deixado encontrar-te no meio de infinitas páginas de internet irrelevantes. Obrigada por me teres dado vontade de dançar para a vida e valorizar aqueles que nunca vou deixar que adormeçam no meu coração.
Dorme Carolina, dorme. Dança, dança muito, conquista o que te rodeia com os teus passos, marca o vazio da tua ausência com as memórias quentes que deixaste. 
Foste cedo demais. Foste estupidamente cedo demais...
Sinto um nó no estômago e doem-me os olhos, de tristeza.


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